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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Espanador de tristezas



Tinha aprendido que era muito importante criar desobjectos.
certa tarde, envolto em tristezas, quis recusar o cinzento. 
Não munido de nenhum artefacto alegre, 
inventei um espanador de tristezas.
era de difícil manejo – mas funcionava.

Ondjaki

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O que se houve além da porteira




Relento

Quem nasceu como eu
Com os pés no regato
E cresceu flor do mato
Em beira de estrada
Olhando a passagem
De quem vai em viagem
Pra qualquer lugar


Quem nasceu como eu
Com os olhos postos numa estrela
Querendo entender
O além, o instante
O amigo do lado
Querendo entender
Quem nasceu assim como eu
Não vive essa vida, mas outra
Surgida de sonhos, de versos ouvidos
De histórias criadas, contadas
Ao pé da fogueira acendida
Num centro de alma vazia
Quem nasceu como eu
Quando perde um amor, um irmão, um amigo
É levado do peito o abrigo
É voltar a viver ao relento
Exposto à sombra e ao vento
Que sopra de noite e de dia
E apaga a fogueira que ardia

(Simone Guimarães/ Cristina Saraiva 
- na voz de Renato Braz


Observação pós-post: Simone Guimarães e Cristina Saraiva não me conhecem... mas a carapuça me serviu... e como serviu.