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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vôo

Vista da Serra da Mantiqueira
Vôo

Vôo à caça de infinitos
Carrego nada mais do que sonhos em meu alforge
e  um punhado de bolinhas de gude a troco de boas histórias
Levo também amores, amigos...
Aqueles que vou cultivando pelos caminhos
E que forem dados a levezas
Há que ser leve pra voar...
O vento é meu aliado
As estrelas, cúmplices, me norteiam
E se o cansaço dobrar o peso de minhas asas,
Faço meu ninho entre as montanhas de Minas Gerais...

Diamantina/MG

Vilarejo Bichinho - Prados/MG

Diamantina/MG

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O que se ouve Além da Porteira:



Lá onde o sol descansa
Amarra sua luz no vento que balança
No veio do horizonte o meio que arredonda
Um caminho de paz
Lá onde a dor não vinga
Nem mesmo a solidão extensa da restinga
Até aonde a vista alcança é alegria
Um mundo de paz
Lá onde os pés fincaram alma
Lá onde os deuses quiseram morar
Lá o desejo lá nossa casa lá
Lá onde não se perde
A calma e o silêncio nada se parece
Nem ouro , nem cobiça, nem religião
Um templo de paz
Lá onde o fim termina
Descontinua o tempo o tempo que ainda
Herança que deixamos do nosso lugar
Um canto de paz



Compositor: Péri - na voz de Ceumar

sábado, 28 de abril de 2012

Simplicidade Mineira




Em uma das minhas passagens por Minas Gerais, estive 
com um caboclo desses que parecem extraídos 
de um livro de Guimarães Rosa.
Mineiro matuto, de sorriso largo e contador de “causos”,
seu nome era a única coisa que lhe fugia às origens: Enoc.
De resto, mineirice dos pés à cabeça.

Enoc come limão com casca sem partir.  
Come mesmo, não chupa...
Mastiga como se fosse uma uva. 
E sem fazer cara feia, o que é mais incrível.

Come banana com casca.

Eu, incrédula, fui perguntar o por quê... 

"- Cê é besta rapaiz ?!
Cascá e esperdiçá esse trem tudo?!
Eu já sei mesmo o que tem drento..."

Em Minas a simplicidade reina...

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O que se houve Além da Porteira:


Sem tirar nem por
(Celso Adolfo)

Eu já falei, repeti
Já avisei de onde é que eu sou
Sou de Aracaju, Marabá
BH, São Salvador
Eu como beiju, tutu
Danço samba-de-roda, maracatu
Maculelê, óia o vento
Ventando no bambu

O que eu vi qualquer um vê
É a tarde misturando a cor
Eu sou mineiro e faço conta
Sem tirar, sem tirar nem por

Tô no elevador
Tô pensando é na flor
Galinha na peia, dinheiro na meia
O passado é uma cor

Sem jeito, sem nada, sem trôco
Carrego essa vida no andor
Esse peso sei de cor, procissão sai
Sai a lua no céu de Matipó

Curral del rey, conceição
Curralim não sai de mim
Cabô o dinheiro, vou embora
Nem sei porque é que eu vim

Levarei a manhã
Cada coisa que me couber
O coração de uma mulher
Espere o dia que eu puder

Eu não posso perder
O trem não perco não
Onde vai parar, onde vai acabar?
Que é que tem pra encontrar?

Parado na rua eu penso, repenso a dor
Tanta dor, uma dor que restou
Meu amor me deixou
Foi mas não me levou

Meu balaio vai cheio de cor
Cada saudade é uma dor

Cabô o dinheiro
Não quero, não posso ficar aqui
Tão me esperando
A saudade partiu, vai me partir

Levarei a manhã
Cada coisa que me couber
O coração de uma mulher
Espere o dia que eu puder 

Eu não posso perder
O trem não perco não
Onde vai parar, onde vai acabar?
Que é que tem pra encontrar?

Parado na rua eu penso, repenso a dor
Tanta dor, uma dor que restou
Meu amor me deixou
Foi mas não me levou

Meu balaio vai cheio de cor
Penso a rosa
O que eu penso é na flor
Cada saudade é uma dor.